A Diversidade Cultural no Contexto Escolar

A Diversidade Cultural no Brasil apresenta-se de forma muito peculiar dada à sua riqueza, fruto da mistura de vários povos (índios, negros, portugueses, japoneses, holandeses, italianos, espanhóis, turcos, etc) que ajudaram a construir este país.

Ao fazermos um recorte e situarmos a Diversidade Cultural no âmbito escolar , o fazemos reconhecendo como esse espaço é um grande canal de vivência de valores, permeado de diversas formas de se viver, onde muitas “culturas” se encontram, e sendo assim traz possibilidades inúmeras para trabalharmos conceitos importantíssimos para o convívio saudável em sociedade, tais como, respeito mútuo, ética, liberdade, eqüidade, solidadariedade.

Antes de prosseguirmos, faz-se necessário falarmos um pouco sobre Cultura. Conforme Laraia (2007) a primeira definição de Cultura, no campo da Antropologia, deve-se à Edward Tylor (1832-1917) que criou o vocábulo em inglês Culture que

“tomado em seu amplo sentido etnográfico é este todo complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes ou qualquer outra capacidade ou hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade.”  Tylor(1871) Apud Laraia (2007).

A Cultura, portanto, é uma construção social dinâmica, que condiciona a visão que o homem tem de mundo. Sendo assim, é correto pensarmos que a Cultura pode servir como viés legitimador de Ideologias, numa sociedade dividida em classes (Burgueses e Proletários - divisão estabelecida por Marx) ela pode se tornar uma arma habilidosa para garantir o poder. Neste ponto, queremos situar a Escola que tanto pode servir a uma classe social como a outra, dependendo dos valores que a mesma quer defender e difundir.

Um referencial para as ações da Escola encontra-se nos Parâmetros Curriculares Nacionais de Pluralidade Cultural e Orientação Sexual, que assim como a Unesco, propõe o reconhecimento e valorização da Diversidade Cultural em direção à uma sociedade ética e democrática, onde a diferença seja vista como algo positivo e natural.

As ações que devem ser desenvolvidas pela escolas devem contribuir

“... no processo de superação da discriminação e de construção de uma sociedade justa, livre e fraterna, o processo educacional há que se tratar do campo ético, de como se desenvolvem atitudes e valores, no campo social, voltados para a formação de novos comportamentos, novos vínculos, em relação àqueles que historicamente foram alvo de injustiças, que se manifestam no cotidiano.” Parâmetros Curriculares Nacionais: pluralidade cultural e orientação sexual (2001, p.22/23).  

Portanto a Escola deve promover  ações pautadas na ética para desenvolver em cada sujeito a sua cidadania que não é apenas sua, mas faz parte de um coleitvo.; deve cooperar para mudar a situação atual de discriminação social, racial, de gênero, desigualdade /exclusão social.

A tolerância, o respeito mútuo, a solidariedade são questões que devem não apenas serem ensinadas na Escola, mas apreendidas e vivenciadas, permeando todas as relações, professor-aluno e vice-versa, diretor-funcionários, alunos-alunos, escola-comunidade. Criar um clima de diálogo, é fundamental, é preciso dar voz e vez aos alunos e a todos os atores envolvidos no processo educacional.

O Currículo da Escola deve ser vivo, aberto e flexível, atento à uma perspectiva interdisciplinar, que garanta a participação e a valorização de todos. A Escola sendo um lugar privilegiado  de aprendizagens, tem na figura do professor um agente-mediador no processo de consolidação da Diversidade Cultural na sociedade em que “com-vivemos”. O professor deve estar afinado à uma prática que valorize a dignidade, a justiça , a cidadania.

Como o processo educativo é construção, as relações sociais são tecidas todos os dias. Ao aprender sobre os costumes do outro, a maneira de viver do outro, aprende-se também sobre si mesmo. O Eu passa a ser também Nós. Não há cultura inferior ou superior, melhor ou pior, há culturas diferentes, singulares e ao mesmo tempo complexas, mas todas são necessárias. O que se espera do professor é que este tenha a clareza e a decência de desenvolver em seus alunos o senso crítico que permite reconhecer o  diferente como apenas diferente, o que não significa distante ou estranho.

 

BIBLIOGRAFIA:

LARAIA, Roque de Barros. Cultura: um conceito antropológico. 21. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2007.

PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS: pluralidade cultural e orientação sexual. Ministério da Educação. Secretaria da Educação Fundamental. 3. ed. Brasília: A Secretaria, 2001. 164p.

cultura, diversidade cultural., escola

domingo 07 dezembro 2008 13:48



2 comentário(s)

  • Eva Qua 09 Out 2013 03:03
    muito bom, muito bom mesmo
  • Gleici mailto Dom 22 Jul 2012 16:13
    Ola tudo bem? gooostei muito mesmo do seu texto sobre diversidade cultural, estou fazendo um projeto de tcc sobre valorização da diversidade cultural nas escolas e através do seu texto escrito de forma clara e objetiva, consegui montar o meu tcc com as minhas palavras. Se voce tiver mais coisas interessantes por favor envia no meu email , pois terei o desenvolvimento, desde ja agradeço. Meu email e lady_gleici@hotmail.com


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